A Frase

" O resultado fica para a história, o jogo bonito passa "

FELIPÃO
, Técnico da Seleção Brasileira, em entrevista coletiva, antes da grande final da Copa das Confederações, diante da Espanha, no Maracanã


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Bom dia tristeza

Por CLARA ALBUQUERQUE

Bom Dia, Tristeza
Direção: Otto Preminger
Ano: 1958
País: Estados Unidos
Gênero: Drama
Título original: Bonjour Tristesse

Eu não quero falar aqui das últimas derrotas do Bahia. Eu também não pretendo analisar a atual situação dos jogadores do time nem o jogo de ontem, muito menos a saída de Paulo Carneiro e a chegada de Elizeu Godoy. Eu também não pretendo comentar a ida e vinda de técnicos nem o esquema tático apresentado em campo. O fato é que ser torcedor do Bahia deve doer pra caramba. Para os mais velhos, lembrar dos feitos de outrora é aceitar as pontadas que só o coração de um apaixonado sabe dar. É aceitar o saudosismo como um irrecusável refúgio e não como charme ou simples (e boa) saudade. Para os mais novos é não ter o que lembrar. Ou pior, é ter apenas o que esquecer. É não saber o gosto de tirar da garganta o grito de campeão. É não conhecer o sabor das lágrimas de alegria após um fim de campeonato feliz. É não ter um ídolo entre as quatro linhas usando a mesma camisa que você.

Eu já passei pela emoção de ver meu time ser campeão brasileiro e também de ver o meu primeiro e maior ídolo no futebol levantar uma taça da Libertadores.
Eu não soube, ninguém me contou, não assisti em nenhum videoteipe nem vi a campanha vencedora num programa com a palavra passado no título. Eu também não li num livro. Posso não me lembrar de muitos acontecimentos nos anos em que meu time foi campeão. Provavelmente até me esqueci de coisas importantes. Mas uma certa imagem da bola entrando no gol adversário depois de uma cobrança de falta perfeita ou o som único daquele apito no fim de um jogo são coisas que a memória insiste (felizmente) em guardar. Eu também já fiz a absoluta e triste questão de esquecer os jogadores que, apesar de usarem a mesma camisa que eu, pareciam estar vestidos com outras cores. Vi meu time deixar de jogar entre os grandes, apesar de ser gigante em mim.

Mas, voltando ao Bahia, há algum tempo o meu time e o tricolor baiano, “objeto” de adoração de minha mãe, resolveram se juntar num infeliz momento de solidariedade indesejável. Justo nessa situação, eu e minha mãe ganhamos, num concurso de uma loja de futebol, uma camisa oficial que seria autografada por todos os jogadores de um time brasileiro. Poderíamos escolher qualquer time. Não havia dúvidas, teríamos que tirar no par ou ímpar. Mas foi aí que veio a reviravolta. Eu percebi que não queria uma camisa assinada pelos jogadores que rebaixaram o meu time e ela se recusou a estragar uma camisa tricolor com nomes que preferia esquecer. Por interesses e questões históricas, ficamos com a camisa assinada pelos campeões brasileiro daquele ano. Talvez um dia tenha valor. E é assim. Futebol é alegria, amor, paixão, orgulho e um monte mais de coisa boa. Mas também pode ser simplesmente tristeza. Definitiva? Sem perspectivas? Espero e torço que não. Precisamos acreditar que existem certas coisas que são para sempre.

Coluna também publicada no jornal O Correio, da Bahia

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe o seu comentário sobre os textos do Blog do Persio Presotto