Por ANA CAROLINA SAKURÁ
Inclusão social é uma realidade?
Manhã de sexta-feira, vários afazeres, expectativas para descanso e divertimento. Logo recorro ao jornal, primeira atividade do dia: buscar informações. Em meio a notícias de programações culturais, investigações policiais e acontecimentos globais,encontro uma notícia com o título: Grupo de mães faz abaixo-assinado para tirar menino com deficiência de escola(Luciane Evans/Estado de Minas).
Rapidamente cliquei no link, pois a matéria relacionava-se a minha área de atuação e interesse: Para a mãe, B., de apenas 4 anos, é o príncipe azul. Para os educadores da escola onde o menino estuda, ele é sinônimo de afetividade. No entanto, para um grupo de pais de alunos, o garoto representa perigo, ameaça e até mesmo risco de vida para os filhos. A criança, que está no meio de uma briga em que sobram acusações de intolerância e preconceito, é portadora de uma deficiência que afeta a comunicação e o desenvolvimento. Nem por isso deixou de estudar na escola Pólo Eustáquio Júnio Matosinhos, de Contagem, na Grande Belo Horizonte, onde divide a sala de aula com colegas da mesma idade, portadores de deficiência ou não. Há duas semanas, essa inclusão tornou-se problema para um grupo formado por 20 mães... Alegando que o menino é agressivo com os demais colegas, as mulheres, sob argumento de proteger os próprios filhos, recolheram assinaturas e procuraram o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente do município e a Secretaria Municipal de Educação, exigindo medidas eficazes para o comportamento do garoto.(http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/06/05/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=113312/em_noticia_interna.shtml).
Sentimento de indignação! Não apenas a atitude repugnante das mães discriminadoras, mas à política de educação que não abrange um trabalho eficiente de inclusão.
Inclusão social não é apenas "jogar" as crianças na escola regular sem nenhum preparo.
Durante o período da graduação em Letras,estagiei por dois anos na prefeitura de Belo Horizonte compreendendo a alfabetização aos alunos portadores de necessidades especiais. É uma área encantadora ,que sem demagogia, permite aqueles que são considerados”normais”conhecer a verdadeira gratuidade do amor.
Entretanto, nem a comunidade, a escola, professores, alunos estão preparados para lidar com este universo.
A problemática está na falta de um sistema de qualidade, um trabalho de inserção da ambiência escolar à realidade dos deficientes para que haja um verdadeiro projeto de inclusão.
A declaração de Salamanca da ONU diz em um dos seus pontos: “escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas provêm uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional.”
A educação inclusiva não é um ato de generosidade e sim uma adequação da escola as diversas realidades.
O problema é mais complexo.
Que possamos refletir e agir!
**termos em francês:relacionar-se,interagir.**
* Ana Carolina Sakurá é professora e especialista em Literatura
Inclusão social é uma realidade?
Manhã de sexta-feira, vários afazeres, expectativas para descanso e divertimento. Logo recorro ao jornal, primeira atividade do dia: buscar informações. Em meio a notícias de programações culturais, investigações policiais e acontecimentos globais,encontro uma notícia com o título: Grupo de mães faz abaixo-assinado para tirar menino com deficiência de escola(Luciane Evans/Estado de Minas).
Rapidamente cliquei no link, pois a matéria relacionava-se a minha área de atuação e interesse: Para a mãe, B., de apenas 4 anos, é o príncipe azul. Para os educadores da escola onde o menino estuda, ele é sinônimo de afetividade. No entanto, para um grupo de pais de alunos, o garoto representa perigo, ameaça e até mesmo risco de vida para os filhos. A criança, que está no meio de uma briga em que sobram acusações de intolerância e preconceito, é portadora de uma deficiência que afeta a comunicação e o desenvolvimento. Nem por isso deixou de estudar na escola Pólo Eustáquio Júnio Matosinhos, de Contagem, na Grande Belo Horizonte, onde divide a sala de aula com colegas da mesma idade, portadores de deficiência ou não. Há duas semanas, essa inclusão tornou-se problema para um grupo formado por 20 mães... Alegando que o menino é agressivo com os demais colegas, as mulheres, sob argumento de proteger os próprios filhos, recolheram assinaturas e procuraram o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente do município e a Secretaria Municipal de Educação, exigindo medidas eficazes para o comportamento do garoto.(http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/06/05/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=113312/em_noticia_interna.shtml).
Sentimento de indignação! Não apenas a atitude repugnante das mães discriminadoras, mas à política de educação que não abrange um trabalho eficiente de inclusão.
Inclusão social não é apenas "jogar" as crianças na escola regular sem nenhum preparo.
Durante o período da graduação em Letras,estagiei por dois anos na prefeitura de Belo Horizonte compreendendo a alfabetização aos alunos portadores de necessidades especiais. É uma área encantadora ,que sem demagogia, permite aqueles que são considerados”normais”conhecer a verdadeira gratuidade do amor.
Entretanto, nem a comunidade, a escola, professores, alunos estão preparados para lidar com este universo.
A problemática está na falta de um sistema de qualidade, um trabalho de inserção da ambiência escolar à realidade dos deficientes para que haja um verdadeiro projeto de inclusão.
A declaração de Salamanca da ONU diz em um dos seus pontos: “escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas provêm uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional.”
A educação inclusiva não é um ato de generosidade e sim uma adequação da escola as diversas realidades.
O problema é mais complexo.
Que possamos refletir e agir!
**termos em francês:relacionar-se,interagir.**
* Ana Carolina Sakurá é professora e especialista em Literatura

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