A Frase

" O resultado fica para a história, o jogo bonito passa "

FELIPÃO
, Técnico da Seleção Brasileira, em entrevista coletiva, antes da grande final da Copa das Confederações, diante da Espanha, no Maracanã


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Agir et réagir

Por ANA CAROLINA SAKURÁ

Inclusão social é uma realidade?

Manhã de sexta-feira, vários afazeres, expectativas para descanso e divertimento. Logo recorro ao jornal, primeira atividade do dia: buscar informações. Em meio a notícias de programações culturais, investigações policiais e acontecimentos globais,encontro uma notícia com o título: Grupo de mães faz abaixo-assinado para tirar menino com deficiência de escola(Luciane Evans/Estado de Minas).

Rapidamente cliquei no link, pois a matéria relacionava-se a minha área de atuação e interesse: Para a mãe, B., de apenas 4 anos, é o príncipe azul. Para os educadores da escola onde o menino estuda, ele é sinônimo de afetividade. No entanto, para um grupo de pais de alunos, o garoto representa perigo, ameaça e até mesmo risco de vida para os filhos. A criança, que está no meio de uma briga em que sobram acusações de intolerância e preconceito, é portadora de uma deficiência que afeta a comunicação e o desenvolvimento. Nem por isso deixou de estudar na escola Pólo Eustáquio Júnio Matosinhos, de Contagem, na Grande Belo Horizonte, onde divide a sala de aula com colegas da mesma idade, portadores de deficiência ou não. Há duas semanas, essa inclusão tornou-se problema para um grupo formado por 20 mães... Alegando que o menino é agressivo com os demais colegas, as mulheres, sob argumento de proteger os próprios filhos, recolheram assinaturas e procuraram o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente do município e a Secretaria Municipal de Educação, exigindo medidas eficazes para o comportamento do garoto.(http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/06/05/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=113312/em_noticia_interna.shtml).

Sentimento de indignação! Não apenas a atitude repugnante das mães discriminadoras, mas à política de educação que não abrange um trabalho eficiente de inclusão.

Inclusão social não é apenas "jogar" as crianças na escola regular sem nenhum preparo.

Durante o período da graduação em Letras,estagiei por dois anos na prefeitura de Belo Horizonte compreendendo a alfabetização aos alunos portadores de necessidades especiais. É uma área encantadora ,que sem demagogia, permite aqueles que são considerados”normais”conhecer a verdadeira gratuidade do amor.

Entretanto, nem a comunidade, a escola, professores, alunos estão preparados para lidar com este universo.

A problemática está na falta de um sistema de qualidade, um trabalho de inserção da ambiência escolar à realidade dos deficientes para que haja um verdadeiro projeto de inclusão.

A declaração de Salamanca da ONU diz em um dos seus pontos: “escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas provêm uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional.”

A educação inclusiva não é um ato de generosidade e sim uma adequação da escola as diversas realidades.

O problema é mais complexo.

Que possamos refletir e agir!

**termos em francês:relacionar-se,interagir.**

* Ana Carolina Sakurá é professora e especialista em Literatura

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