A Frase

" O resultado fica para a história, o jogo bonito passa "

FELIPÃO
, Técnico da Seleção Brasileira, em entrevista coletiva, antes da grande final da Copa das Confederações, diante da Espanha, no Maracanã

domingo, 16 de maio de 2010

Esqueceram de nós!



PERSIO PRESOTTO

Olá, amigos deste Le Poète em Fleur!

Julgar, quem quer que seja, é a coisa mais ‘normal’ e, ao mesmo tempo, desumana a se fazer.

Quando falamos em julgamento, não nos referimos aos que são promovidos nos mais diferentes tipos de tribunais, por alguma ilegalidade, crime em questão. Falamos, sim, do preconceito, da idéia ultrapassada de achar que o outro, por ter uma cor, uma religião oposta, é desmerecedor de respeito e, assim, não poderá desfrutar dos mesmos direitos e deveres – garantidos por Lei, na Constituição Federal de 1988.

Todos somos iguais perante à Lei. É o que assegura o artigo 5º da nossa Carta Maior.

Se realmente somos iguais, merecemos respeito e somos cidadãos da Pátria amada Brasil, todos temos direito ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à moradia, a um bom sistema de transporte e à saúde.

Negro, branco, japonês, pardo, mestiço, judeu, ateu, evangélico, protestante, católico, não importa... são seres humanos. E assim merecem ser tratados.

Os deficientes físicos e os portadores de qualidades especiais também estão relacionados, fazem parte do chamado contexto social.

Razão pela qual, Joaquim, torcedor do Corinthians e com síndrome de down, também tem o direito de ir ao Pacaembu, ao Morumbi, ao Palestra Itália... a qualquer estádio de São Paulo e do Brasil, para acompanhar o time do coração.

Pena que o direito de ir e vir, também citado na Constituição, é brutalmente desrespeitado, como poderemos ler no conto que segue abaixo, narrado pelos simpáticos e queridos ursinhos Pimpão e Pão de Mel...

Olá, bom dia a todos! Somos Pimpão e Pão de Mel, dois ursinhos que acompanham a vida dos nossos amigos 'especiais' e que pretende dividir com vocês uma saborosa história.

Numa manhã ensolarada de domingo, Joaquim Gomes, de 8 anos, mais conhecido como Quinzinho, pede ao pai para levá-lo à final do Campeonato Brasileiro entre Corinthians e Cruzeiro, no Pacaembu.

Quinzinho enfeita a sua cadeira de rodas com a bandeira do Timão, vários adesivos de gaviões, coisa comum a meninos da sua idade.

Duas da tarde... Quinzinho e seu pai se encaminham para o Paulo Machado de Carvalho com a velha e tão conhecida euforia e disposição de torcer pelo time do coração.

Durante o caminho, encontram alguns adversários. O ônibus esperado não tinha elevador, mas isto não foi problema. Esperaram o próximo horário e conseguiram acessar . Enquanto alguns torcedores já iam para o campo, Quinzinho se inteirava dos cânticos da torcida que fazia a arquibancada estremecer.

Chegaram à Marginal, onde ‘conheceram’ um importante e preocupante opositor: a calçada. Devido aos inúmeros buracos, a cadeira dificilmente passava, mas, seu Manuel, pai de Quizinho, já estava acostumado com essas agruras. Desviando de uns e outros, eles chegaram à entrada do estádio.

Quanta emoção para aquele pequeno. O Pacaembu que ele assistia apenas na TV, estava agora todo à sua frente. Seus olhos marejaram diante do sonho que se tornava realidade.

A torcida se agitava e ele, que já havia aprendido alguns cantos da massa, começava a cantar. Logo,Seu Manuel se dirigiu para o acesso de deficientes, mas, para sua surpresa, não havia.

Os olhos de Quinzinho lacrimejaram, desta vez, não de alegria, mas de frustração, pois não poderia mais assistir ao seu time de coração.

De repente, a entrada do estádio foi ficando vazia. Os torcedores entravam e tomavam seus lugares. Enquanto isso, o menino e seu pai ficaram para trás, não apenas pela impossibilidade de acesso, mas pelo fruto de uma política de 'descaso social'.

O pequeno corintiano fez um pedido ao pai, que já estava revoltado com a situação: para que não fossem embora e pudessem ouvir ao menos a festa da torcida do lado de fora.

E é nesse exato momento que ouvem um som lá das arquibancadas:

EU TENHO A FORÇA
SOU INVENCÍVEL
SOMOS AMIGOS
UNIDOS VENCEREMOS
A SEMENTE DO MAL
LA, LAIALA
LAIALA, LALAIALA
LALAIALA, LAIALA, LALAIA
TIMÃO.

Os torcedores que vieram no ônibus passam por Quinzinho e balançam o balão de gavião que o menino trazia consigo. É nessa hora que o indagam: “Uai, garoto! Por que não tá lá dentro, junto com os outros?” Seu Manoel, indignado, explicou toda a situação...

Lágrimas voltaram a rolar. Um choro de euforia provocado pela gratidão àqueles que não tinham a responsabilidade de ajudá-los, mas, ainda assim, foram mais importantes que qualquer um dos nossos governantes. A arquibancada toda em preto e branco, o bandeirão subindo e os cobrindo, foguetes explodindo e a festa corintiana tinha mais um célebre convidado. Aquele pequeno grupo se uniu e carregou a cadeira do pequeno para dentro do estádio...

Como terminou o jogo não sabemos contar. Somos ursos e a nossa entrada não é permitida. Mas de uma coisa temos certeza, o Quinzinho realizou o seu grande sonho, graças à generosidade alheia, que sobressai – graças a Deus – numa Nação com muitas políticas de investimento em prol do cidadão, mas que são rejeitadas pelos que defendem nossos deveres e direitos.

Pimpão e Pão de Mel

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