Ontem, ao sair da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional da avenida Paulista, onde ocorreu o lançamento do livro "Corinthians x Outros", do publicitário Washington Olivetto, apanhei um táxi.
No caminho, entre uma conversa e outra, o futebol se fez presente.
E eis que ouço o taxista dizer num tom de insegurança total: "nunca mais passo pelo Pacaembu em dia de jogo do Corinthians".
Sem entender a razão, o questionei para saber o que tanto o preocupava.
E a resposta veio quase que automática.
Ele contou que no dia em em que o Corinthians enfrentou o Sport, no Pacaembu, passou por lá, viu a movimentação de torcedores e seguiu em fente.
Pouco tempo depois, um outro carro parou ao lado do dele.
E, por mera curiosidade, o taxista perguntou quanto foi o jogo.
"2 a 0", respondeu um dos ocupantes do automóvel.
Na tentativa de ser simpático, o taxista comentou que foi bom o Corinthians ter ganho e se preparou para ir embora dali.
Foi quando um dos indivíduos o questionou: "tá me tirando, o cara! Você vai apanhar!"
E desceram do carro para tentar bater no cidadão.
Assustado, o interrompi e perguntei se algo aconteceu com ele.
O alívio dele foi tamanho ao dizer que nada de mau acontecera naquela noite.
Para encerrar, insistiu naquilo que falara logo no início do bate-papo:
"Nunca mais passo no Pacaembu em dia do jogo do Corinthians".
O mais desagradável nisso tudo, não é o fato de se tratar deste ou daquele estádio ou torcida.
A impunidade e o afago dado pelas principais autoridades do nosso país permitem esse tipo de situação, sendo que, em alguns casos, com consequências bem mais graves e traumáticas.
O pior é que há quem acredite que este cenário mudará com a realização da Copa do Mundo em 2014, assim como com a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro...

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